Velho País Novo País Velho

O lustro atraente de uma sociedade decadente que reluz, esconde e por trás sente que mente, um falso retrato de um passado que nunca existiu, porque de longe ela pra si já mentiu, de uma glória que jamais existiu, de que sente saudades, de um jovial passado juvenil, viril mas que já passou e deu origem e sentido a uma sociedade senil, de vilania e tiranias mil – BRASIL- essa nação afogada em corrupção, grande país do futebol e do bundão, do caixa dois e político de carrão, pra enxergar algum futuro tem que ter muita visão, estilo Thundercats, olho de Thundera, só mesmo além do alcance, esse país já era, saqueado desde o início, por seus próprios habitantes, que nunca o consideraram algo importante, e que agora quando a barra pesa tiram passaporte da estante, é, real, a gente tá fodido, país todo entregue aos bandido, mas, sem apoio e levante popular, solução não há, vamo mobilizar pra ver a mudança chegar, já  tá difícil de enxergar o futuro do Brasil, e a vontade que vem é de mandar tudo pra puta que pariu

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De rios, desertos e mares…

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Imagine um rio, mas não qualquer rio… Um rio sem fim, com margens de penhascos escarpados impossíveis de serem escalados, verdadeiros monolitos de brancas pedras lisas a se erguerem em direção às estrelas, suas faces imaculadas parecem eternas e intocadas pela passagem do tempo.

Nesse rio, você se encontra em um barco, e em sua mão possui um pequeno remo. O barco é simples, leve demais e propenso a balançar frequentemente. É difícil de se segurar nele, mas na maior parte do tempo, ele é confortável. Ele é o seu barco, e não existe nenhum outro igual a ele. No céu, em perpétua escuridão claramente consegue-se ver todos os astros, tantos que são, preenchem o céu como se coberto de diamantes, pequenos, grandes, ardentes e fugazes…

Nesse rio, seu pequeno barco é carregado pela correnteza. Impossível reverter a direção, por mais calmas as águas – neste rio, só se anda para a frente. Seu remo, pequeno demais para qualquer mudança drástica de direção, e somente muito esforço constante pode mudar levemente o rumo desse peculiar veículo.

Você entrou nesse barco, mas não se lembra quando. Sabe quando foi, mas dessa época pouco se lembra. A correnteza o carregou, por muitos e muitos anos, antes de sequer considerar pegar o remo e usá-lo. E, em eterna briga com a correnteza, você está seguindo o caminho desse rio… Uma neblina estranha e mística preenche sua visão a todo momento,  e te deixa ver somente um pouco à frente, e aos poucos, engole o caminho deixado pra trás. Às vezes de correnteza forte, às vezes com pesada neblina onde nada se enxerga, você segue.

Nesse rio cósmico de tamanho imensurável existem infinitas bifurcações, pequenas entradas, indo para alguma direção desconhecida, levando a outras bifurcações. De correntezas fortes, em que por mais que reme não consegue deixar de seguir o rio, a águas calmas na qual facilmente e com pouco esforço se direciona o barco para a direção em que se quer. E a única dica, a única bússola e mapa que existe desse rio, está escrita em uma linguagem da qual o homem entende de muito pouco a nada… Na linguagem espiritual, cósmica e tão antiga quanto o tempo, das incontáveis estrelas no céu. Elas são suas únicas guias, pequenos pontos de luz, sempre visíveis na perpétua escuridão,  e visíveis mesmo com a neblina mais pesada…

E esse barco, essas estrelas e seu pequeno remo, nesse rio que é o tempo,  dão à ti o seu destino. Uma viagem solitária, na qual mesmo os barcos mais próximos estão distantes demais, em que em cada barco só cabe uma pessoa, e dificilmente se consegue trilhar o mesmo caminho de outro… Por mais que se tente, cada um desses barcos é uma ilha, e apenas os desesperados gritos de uma consciência racional, que chamamos de voz, consegue traduzir, mal e porcamente, de grosso modo, o que de fato sentimos, pensamos, vivenciamos – gritos à distância para os outros navegantes, companheiros da viagem solitária da consciência.

Mais sozinhos, ainda, pois nesse rio, trilhamos sozinhos também como espécie… É a curiosa e fascinante sina da humanidade a de ser a única que desenvolveu o que chamamos de racionalidade. Homo Sapiens Sapiens… Sapiência, que remonta à consciência – autoconsciência – reconhecer o eu no eu, o outro no outro, e filtrar os milhões de impulsos carregados por incontáveis sensores, mais precisos, complexos e eficientes do que qualquer máquina,  bombardeiam informação em quantidade realmente assustadora em seu cérebro.

E a racionalidade de forma inevitável leva ao questionamento. Do por quê? O como. O onde. O até quando. Mas o caos é imenso demais, o rio vasto demais, as estrelas em quantidade superior à sua capacidade… O remo lhe ensina, que não dá para controlar tudo,  as estrelas, que não dá pra saber tudo, a neblina, para lembrar da nossa cegueira, que parecemos esquecer, tão pretensamente inteligente que somos.

Enquanto o rio lhe carrega, e tu ficas a deriva ou luta contra ele, as lições que vê no meio do caminho lhe mudam, lhe alteram, aumentam, inevitavelmente, sua experiência e sua visão do mundo, mas não fazem promessas.

Há,  nesse rio, muitas lágrimas… Há também os barcos sem condutores, já há muito abandonados. Ossos são visíveis ao fundo  do Rio, bilhões daqueles que se perderam pelo meio do caminho, que desesperadamente tentaram nadar quando seu barco os jogou para fora, e desesperadamente tentaram agarrar em qualquer esperança de chegar ao destino que sequer conhecem…

Esse rio de lágrimas, sangue e ossos representa todo teu passado, todo teu futuro, e todas tuas oportunidades. Cada bifurcação é uma escolha, que levam a mais e mais escolhas… Eventualmente, você acaba no mar, destino fatal e inevitável de todos os navegantes, e a única concreta certeza da vida.

Esse mar, eternamente calmo e imaculado, carente de qualquer onda ou mínima vibração da água mais parece um espelho, perfeito espelho a refletir a luz e todas as estrelas, que iluminam suas brancas praias, que se expandem e expandem, até muito além de onde a vista chega…

Uma imensa praia, um deserto de ossos, já há muito pulverizados finamente pela inexorável passagem dos ventos que vem do mar no fim do tempo, esse mar que não tem fim, nem começo, que não muda, é eterno e sempre constante.

Nosso destino na vida, é, inevitavelmente, morrer. Nossas escolhas consistem em como administramos essa jornada, quais estrelas escolhemos para nos guiar, quão fortemente iremos pegar no remo e tentar buscar o caminho que queremos, mesmo sem certeza de saber, ou se deixaremos a correnteza nos levar, e o destino decidir por nós.

Com toda nossa racionalidade e consciência ainda temos muito pouco poder para influenciar o que acontece externamente, nossos braços fracos e nossos remos curtos demais, nossos olhos incapazes de enxergar por detrás da pesada neblina da incerteza do futuro, nossos corpos incapazes de suportar as gélidas águas do rio de lágrimas…

Nosso barco é nosso corpo. O rio é o tempo. As paredes inescapáveis separam a existência mortal da divina – sempre presente e sempre tentadora, porém impossível de se alcançar, e as estrelas representam sonhos, esperanças, vivências, pedacinhos de esperança dentro da desoladora, porém bela, passagem que é esse surreal cenário.

No barco, nossa consciência. Nossa racionalidade. Aquilo que nos diferencia e que nos faz humanos, a nossa sina e a nossa sorte – nossa incrível genialidade nos permite questionar, mas nos faz também capazes de compreender o quanto ainda não sabemos, e o quanto não podemos, nem jamais poderemos, controlar.

Para o bem, para o mal, qual é mesmo, nossa esfera de influência, se não a nossa própria consciência? Há de se reconhecer a limitação de nossa influência no outro, no mundo – não se pode jamais prever tudo, nem controlar tudo.

O presente é a nossa esfera de influência, mas, só porque nossas escolhas irão definir o que irá acontecer no futuro, não significa que você é capaz de evitar que as coisas dêem errado, ou garantir que deem certo.

O que nos apresenta a nós é, tão somente, a ilusão da escolha… O sentimento, esperança que é a estrela que nos guia para este ou para aquele caminho. Tomamos decisões e fazemos escolhas baseado naquilo que vivenciamos antes, tentando, desesperadamente, evitar nos tornar um daqueles que, no fundo do rio, jazem eternos.

Solitários que somos, nessa viagem, devemos nos esforçar para ser nossa melhor companhia, e entender, profundamente, o que nos faz nós mesmos. Como se interpreta tudo, como se enxerga, internamente, tudo aquilo que acontece à sua volta, isso, sim, está em nosso controle… Não podemos ser senhores do destino, mas, podemos ser senhores de nós mesmos.

Aprender a reagir, mais do que prever, aprender a viver no presente, em vez de perder-se no passado, engolido pela neblina do esquecimento, e no futuro, na eterna neblina da incerteza.

Há muito mais que não podemos influenciar do que podemos.  Não é nem no perfeito controle, ou na falta dele, que encontramos a verdadeira liberdade. A verdadeira liberdade existe no reconhecimento da ilusão de escolha, e da identificação de nossa esfera de influência. É no reconhecimento da finitude e da limitação do Eu, na aceitação de suas limitações.

Mas, é aí que entra a dualidade – a outra faceta da racionalidade, nossa companheira eterna e inseparável, a loucura. Que são sonhos, senão uma loucura noturna, quando a consciência deixa a cena e dá lugar aos nossos mais estranhos pensamentos?

A loucura, quando bem utilizada, temperada pela racionalidade e o reconhecimento de suas limitações, é a mais poderosa ferramenta, e é indissociável da racionalidade. Todos somos loucos num e noutro grau e a loucura é o que nos faz, de fato, humanos.

Que seria da arte sem a loucura? Teríamos quadros tão belos como os de Picasso se tudo que todos enxergassem fosse sempre só a realidade posta, e nunca algo mais? E quantas fantasias febris não viraram romances e épicos com os quais gerações aprenderam a sonhar? E o que dizer da música… A tradução do sentimento em ondas sonoras, imaginar, dentro da própria cabeça,  uma cacofonia caótica de sinfonias e tons, harmonias e desarmonias e desemaranhar esse nó para produzir algo que só pode ser descrito como belo.

A ordem é bela! Ela nos dá rumo, nos dá visão, nos permite navegar no rio, seguindo os melhores caminhos… Mas o caos é criação, a loucura, o imprevisível e o insano, esse é o que nos dá nossas maiores obras…

Se o homem jamais quisesse virar um pássaro, teria pensado em inventar o avião? Se o homem não se perdesse em pensamentos olhando as estrelas, será que hoje teríamos astronomia?

Caos e Ordem dançam em meio as estrelas que nos guiam, nos levam a caminhos diferentes, porém convergentes, são duas faces da mesma moeda – felizes são aqueles que aceitam sua loucura, que buscam a ordem mas a temperam com o caos… Que não se privam, não se impedem por razões arbitrárias de experimentar novas sensações, que não tem medo de experimentar, medo de se aventurar, medo de viver a vida plena – uma vida da qual possa se orgulhar.

Existe a loucura quixotesca, destemperada e desmedida, febril e que em nada acrescenta… E existe a loucura força motriz, a loucura do sonhador, do poeta, do artista, do cientista e de todos aqueles inconformados com a realidade que se apresenta, todos aqueles que querem algo a mais, que exigem mais do pôr do sol e que não se contentam com apenas as sensações que conhecem!

Passamos tempo demais pensando em quem queremos ser, tanto, que nos esquecemos de ser, viver. Hoje, já não penso que nunca descobriremos a verdadeira felicidade. Penso que nunca houve uma verdadeira felicidade. Pois todas as felicidades são apenas momentos passageiros.

A vida se compõe de mais momentos tristes do que de momentos felizes, mas esses momentos seriam tão preciosos, se fossem mais abundantes? A tristeza existe para nos mostrar quando devemos ser felizes. Ou seja, quando não estamos tristes. A verdadeira felicidade é uma armadilha, uma fantasia. É correr atrás do horizonte – sempre que chegar lá, um outro horizonte se porá à sua frente. Você correrá, e correrá, e correrá, mas nunca chegará a um lugar onde não existe mais um horizonte.

Mas, por mais loucura que seja, correr atrás desse horizonte, significa que estará sempre em movimento, andando sempre em frente… Não sendo desmedida, sendo temperada, essa loucura é uma loucura boa, uma loucura virtuosa.

É o ímpeto constante do ser humano a sensação de não pertencer a sua própria época, de romantizar o passado e o futuro e esquecer-se sempre do momento presente, que é como a esposa presa entre a amante e o objeto do desejo, sempre presente, mas nunca valorizada.

O aqui e o agora é a sua esfera de influência. É o que pode ser mudado, é o que pode ser atacado, de forma imediata. O futuro nada mais é do que o presente de daqui a pouco, e o passado, esse, sim, completamente imutável. Mas, a boa notícia, é que o nosso cérebro sempre funciona no presente – voltando ao nosso rio, é cada pequena e insignificante remada a levar-lhe por este ou por aquele caminho no rio das lágrimas, guiar-se por esta, ou por aquela estrela.

Não podemos mudar o que de fato aconteceu, mas podemos mudar a nossa percepção dele. Ao modificar a nossa atitude no presente, de maneira prática, mas não na realidade, modificamos o passado. E estamos alterando nossos possíveis futuros. Criando momentos presentes que virão, e serão novas oportunidades para agir, para ser.

Remorso é o pior sentimento que existe. É a impotência face ao passado. É dizer “agora, já era.”. E como já vimos, isso nunca é exatamente verdade. Porque o nosso consciente é sempre afetável no aqui e no agora.

Às vezes na nossa busca pela individualidade nos esquecemos da beleza do comum, do ordinário, da simplicidade. A beleza de simplesmente desaparecer na multidão, e viver a vida. Para quê querer ser, se você já é? Como disse Descartes, Cogito ergo sum! Se você pensa, logo existe.

Somos, sim, produto de todas as nossas experiências… Impossível vivenciar algo sem ser afetado por ele! Somos, de fato, mosaicos das nossas experiências passadas, pequenos pedaços que pegamos de nossos pais, de nossos amigos, de nossos amores e de nossos desafetos… Dos nossos acidentes, das sortes e azares na vida, no jogo, e no amor.

Cada um desses pequenos fragmentos forma o complexo e intricado mosaico que é cada indivíduo… Feio e caótico, desordenado, mas belo em sua própria maneira…

Se conseguíssemos nos olhar assim, como realmente somos, de onde cada pedaço veio, numa espécie de Espelho da Alma, o que veríamos? Um mosaico com vários pedaços faltando? Um complexo, cheio de pedaços diferentes, de pessoas e lugares diferentes?

Somos fraturados, sim. Incompletos e buscando eternamente aquilo que nos falta… Ser consciente é, também, buscar saber quem é o eu. Deixamos pedaços nossos por aí, damos eles e muitas vezes não nos lembramos de colocar algo de volta.

Mas nós temos um Espelho da Alma… E ele se chama, reflexão. É olhar para dentro de si, e perguntar, conversar consigo mesmo…

É a hora que Caos e Ordem dançam valsa juntos… Ordem guiando o Caos, e o Caos ditando o ritmo da música… Ordem tendo que se esforçar para acompanhar o ritmo caótico do Caos, e Caos se esforçando para tornar as coisas mais interessantes – e difíceis – para a Ordem.

E nessa bela dança, reorganizamos esse nosso mosaico, em algo mais belo, algo mais aprazível – algo para nos orgulharmos. É reconhecer a importância de cada experiência, e coloca-la em seu devido lugar, com sua devida importância…

Como já disse Aristóteles, a virtude está no caminho do meio. Não podemos viver a nossa vida na inconseqüência total e completa do fatalismo, acreditando que nada podemos fazer para mudar nosso destino, nem tampouco devemos nos entregar à arrogância de pensar que todas as nossas escolhas importam, e que somos perfeitos senhores de nossos destinos.

Se você tem alguém que lhe ama, lhe acalenta e lhe compreende, e que te escuta quando você está pra baixo… Que te diz sussurrando no seu ouvido que jamais vai te deixar… Que compreende seus defeitos e valoriza suas qualidades acima deles, que não tem medo de te dar uma bronca quando você merece, mas que apesar de xingar e gritar e até de te odiar por um tempo, sabe, com toda a certeza, que você é alguém que merece uma segunda chance… Conte-se entre os sortudos.

 

Pois nem todo mundo tem alguém assim, por mais que queira, por mais que deseje, por mais que intensamente sinta – não tem.

 

Porque o mundo é cruel, e você erra, e seus erros não são compreendidos. Suas qualidades não são valorizadas. Você não tem segundas chances. Você não pode mudar o passado, não pode mudar o presente, não pode mudar o futuro. Você não tem chance de fazer absolutamente nada, porque você simplesmente não merece… Você simplesmente não é o bastante – não é o suficiente, não é e nem nunca vai ser, e talvez nunca foi.

 

Você errou, e agora é forçado a sofrer e conviver com os erros que cometeu, com toda a angústia e o sofrimento que é amar assim, sem ser compreendido, sem ser amado de volta, sem ter a chance de consertar quaisquer erros do passado que tenha feito divergir o caminho dos amantes…

 

E é uma dor além da dor, um sofrimento além do sofrimento, é pior do que qualquer morte, dez vez pior, com certeza, e muito mais lenta e muito mais sofrida…

Fraturado

O que fazer quando o espelho já se quebrou? A magia toda se foi, o amor, se acabou. O que resta são cacos dos sentimentos – pedaços espalhados de momentos vividos, compartilhados, agora, estilhaçados e jogados… No chão, uma reflexão distorcida de tudo o que já se passou. Olho para o chão e vejo risada, vejo choro, vejo graça – vejo alegria, vejo desgraça… Vejo tudo aquilo que já se passou e penso, quanto tempo? Quantas vezes já não estive aqui nessa mesma sala de espelhos? Os meus eus do passado riem, e eles choram, eles dançam, e eles cantam… Cabelo longo, curto, raspado… No rock, no funk – no samba, no sertanejo… É no dia de carnaval, no dia de são joão, nos dias de inverno, e nos dias de verão – e nos dias que passaram, já se foram, não voltarão. Que imagem feia, quantos pedaços jogados pelo chão… Pedaços de mim, que foram ficando por aí, pedaços de mim que deixei irem. Pedaços de mim, que tentei desesperadamente colar de volta, pedaços de mim que não sei por onde estão mais… Pedaços que foram colados errados, pedaços que se soltam, e caem, por aí, à toa… Por conta de qualquer besteirinha. Eu paro e olho pra uma reflexão. Nós dois, mas quem eu era, e quem era você? Quem sou eu agora, me pergunto… Meus sentimentos estão tão à flor da pele, sinto que vou explodir. Nessa sala de mosaicos, eu sou o vitral que se constrói daquilo que um dia já foi e hoje não é mais, por tantos espelhos destruídos eu ando, pensando… Quantos desses eu destruí sozinho? Quantos mais eu quero destruir? Quantas vezes eu quero me reconstruir? Quantas vezes eu vou precisar me despedaçar, quantas vezes eu vou precisar me espalhar e me dar, totalmente, pra depois ter que catar esses pedaços denovo? Eu já estou fraturado, completamente despedaçado, por dentro e por fora… Será que é bonito? Eu não consigo ver mais a minha reflexão. Quem eu sou, está além de mim, eu não sei o que os outros veem… Eu só consigo ver um milhão de reflexões de um milhão de cacos, mas nunca focar numa única imagem. Aqui, não tem um projeto, não tem um fim em si mesmo… Estou preso eternamente na encruzilhada do passado e do futuro, no momento presente. Não consigo ver além, e não quero olhar pra trás.

[WP] The king was very confused when a Necromancer defeated the Dark Lord and saved his daughter.

Necromancy is but applying the very foundation of modern medicine to a very stubborn degree. Every Necromancer, deep down, is just a very, very angry medic.

Anton was just that, a very, very angry medic. Angry, because he could not save every single one of his patient. And as each and every death kept pulling him further and further down the path of self loathing and depression and anger towards the whole of Cosmos, he began to see, that he was just giving up too soon. I mean, why stop after death after all? There’s more to a body than just being, right? There has to be, after all, unless there’s no purpose to anything and then, he could just stop being a medic right then and there.

Every necromancer has this insight, this rare moment, where they can see that, well, life surely does have a meaning past the mortal coil, right? And unlike the clerics who frown upon ressurrection and disturbing the undead, well…

Necromancers are very, very stubborn.

And so question he did, and experiment as well, and through marvels of both prowess of intelligence and magic alike, he finally managed to rescue a soul.

Not what he had hoped for, indeed, but she was beautiful nonetheless. Her body, decayed beyond any recognition – rotten flesh, saggy skin, holes for eyes and not much of a nose or even a face to speak with. A skeleton with a pretty dress, and some meat to her.

But still, incredible to look at. Her intellect was preserved flawlessly, and, though she mourned and cried, after some time she managed to accept that, well, being undead is better than being dead, right? She might not look as pretty but… Well, she’s back.

And that’s the story of how Celeste met Anton.

But Anton, Anton… Little did he know, that ornate crypt he ransacked the body from, belonged to a very well connected and powerful family.

Caesar, the head of the family, loved his dear daughter Celeste way too much… And probably in ways a father should never love his daughter. But not once did he touch her. Very protective, yes, maybe even a little overbearing and touchy, but one line, he did not cross – but made sure none crossed as well.

Until one night…

Well,

Ceasar was a very, very powerful player in the politics scene, and vying for top spot, he had made many an enemy. And when you make your weak spot so obvious… Well, where else would an enemy strike?

A kidnapping gone wrong, is what did Celeste in.

Biting and kicking way too effectively, Celeste managed to break free of her bindings and yell, and for being too rowdy, but not rowdy enough, she bit the dust… Farewell for Celeste, but, a heralding for the big bad Emperor Caesar that came next.

Maybe his name was a given, perhaps his birthright, but after Celeste died, his morals went with her. No more playing coy, no more cozying up to enemies to win favors with them – it was flat out war now, and boy oh boy, did Caesar win them readily.

No contest, it was what it was. With the same obsession and passion he had with his Daughter, in a little over two years he had eliminated all oppposition and comfortably occupied the throne of Emperor, as his namesake before him.

Caesar, however, had a profound dislike for the dark arts of necromancy. One for beauty, he could never appreciate to bring something that laid beneath the skin, all the while having the unsightly, unbecoming image of the undead.

Well, if Anton had to say anything to that, he’d just say…

“Well, bloke’s very shallow, isn’t he? Can’t judge a canary by it’s appearance, mesays… As long as it’s song is beautiful, then the bird’s a keeper, yeah?”

Well, Anton was a guy that liked birds a lot.

And he also grew very, very fond of Celeste…

Which also happened to hate her father very, very much…

Because you see, every overbearing father wants her daughter to die a virgin, but then they do and they come back, and boy – that’s when they get pissed.

Well, now she had no life to waste, and all reasons to come after her father, but well, a Skeleton can only go so far.

That’s precisely where Anton comes in.

Not a bloke to judge for appearance, he fell head over heels for Celeste after their first conversation… And turns out, tactics, plotting and scheming run right down her family line?

Who would’ve thought, right? Daughter of an Emperor with an aptitude for politics and war?

Nonsense.

But so it turned out that it was actually common sense and she was very, very good at the same sort of intrigues her father was. Only, she did not sleep, and she had a Master-Class Necromancer as a lover.

Anton and Celeste were an unstoppable duo. What does a Master-class general do when given and unlimited supply of troops that don’t require food, nor water to survive? He shows who’s boss, that’s what.

And suddenly, Ceasar saw himself with a new enemy, one vying specifically for his head.

He never did saw Celeste coming, though. All he did see was that damn Necromancer Anton, always with that goofy look about him, those glasses way too big for his face and that god-awful beard that somehow was thicker on his neck than his face.

He sure was surprised when she sticked an stilletto to his back, and watched, helplessly, as his celebrated Warrior’s Graveyard all got up to clap as he died, helplessly, on the stairs…

[WP] An immortal soldier sits alone in the ashes of ten billion souls. The Last King of The Dead Earth.

Long and for many years i’ve waited, yearning, for this very moment to come. Ten billions of souls, ten billions of memories, all sacrificed so i could sit atop of them all, all so i could sit upon my throne and watch on, as ashes roll endlessly throughout plains made of dead things and forgotten memories.

And now, as i sit here, as i fulfill what i had, in my mind, thought was my deepest and most treasured desire, now, only now, do i realize what i have done.

There is no one to remember me, no one to mourn me, no one to celebrate my conquest, and yet no one more to fear and tremble before me.

Only i remain, and now, deep, and deep more into thinking, what do i yearn for now? What do i have left to yearn for now? After decimating my entire kind, after conquering my entire world, is there anything left?

Many, many tens of thousands years have passed, and all that burned in my mind for all that time was the mission, THE mission, for which i was born, and for which i had forsaken all but the last shreds of what made me be, before i was.

Where is my mother now, i wonder? She raised me well, and had no fault on what happened next. She could not have protected me, as the barbarians ransacked our village and raped her cruelly. She could do no more than scream and beg for mercy as they beheaded and dismembered my father from side to side, as they screamed and laughed and drank our mead….

Her cries for mercy where what saved me, what saved my life, and what made me continue, her desperate pleas for my survival what kept me going as i was brutally overworked as a slave, as every fiber of my muscles, every piece of my bones was broken and remade whole again, and i had gotten stronger.

By the time that Wizard came, the one that saw in my the fire that burned so brightly in my heart, the one that prophecized what was to come, i was already forged and beaten, i had already experienced both anvil and fire, i was hammered, again, and again, and again, and tempered, tempered by the gentle touch of the magic that old fart taught me.

As they dismembered him bone from bone, four hourses pulling on four extremities, after they discovered his prowess, he laughed and laughed endlessly, knowing, knowing that what he had taught me on those dark nights, on those moments after our guards where fast asleep from mead and raping, would lead to all of their downfall, to all of their doom.

He knew as much, and laughed and laughed until he could laugh no more.

And now, i can’t help but laugh after him as well, because well! The prophecy has been fulfilled at least. And did he know as well? Did he know what i would feel now? In his last moments, could he had known what i now know?

The irony is so overbearing, i can’t help but laugh and laugh until i cry, until the bones in this throne are creaking and laughing right with me.

Never, once, in my many tens of thousands year conquest against this world, have i stopped to question my purpose. Never, in tens of thousands of years, have i stopped to question why, why, why would i kill everything, why would i kill everyone, if i had never had one single moment for myself?

For many tens of thousands years, i had enemies to worry about, i had plans and contingencies, and contingencies for failure of those plans. I was ruthless, and methodical, and i had everything to worry about. I had not one moment, not one single second, while i wasn’t worried about this or that hero, about this or that king or kingdom, about that or that other battle, and what the outcome would be.

In the grand scheme of things, i got so enthralled, so enrolled in this massive scale game, as i became the one and only player in the board, that i never stopped to think about the board at all.

And now, i stand. King of the Hill, checkmate, the only piece on the board. And what’s next?

I look inside myself, and i see nothing. I look to the horizon, and i see nothing.

I look at the sky, and thick, dark, overbearing clouds obscure my view. Lightning thunders and smolders what little there is to burn on the ground. The scene is of total, utter, complete despair.

But, for a brief moment…

A twinkle.

One single lonely star twinkles… Far above, and far beyond the clouds, lonely it twinkles mightly and brightly, defiant.

I now know where to go next.

Carta Para A Minha Ex

O que antes me fazia sorrir hoje me faz sofrer, enquanto antes teus risos me traziam alegria, hoje é só agonia, e no teu brilho acalorado, sinto as queimaduras de um sol de que já não posso mais me aproximar.
Não posso viver cheio de lembretes da vida que poderia ter sido, preciso me afastar, preciso de tempo para me curar, não posso ficar te vendo e nem pensando em ti, nos teus beijos no teu abraço, no teu carinho e na tua voz, nem nada daquilo que outrora me fez querer ficar perto de ti.
Querer estar perto de você um dia foi o que eu mais quis na vida, mas hoje pensar nisso acaba com ela, pois sei não ser mais possível. Um adeus já é difícil, duplamente assim se se repete, diariamente, todos os dias.
Não quero ver tu sendo feliz com outro, não quero ver-te fazendo tudo aquilo que um dia planejamos fazer juntos, que sonhei e que imaginei, ou mesmo tu aceitar noutro aquilo que não conseguiu em mim.
São todas memórias que devem ser bloqueadas, apagadas e incineradas, jogadas ao fundo do fundo do inconsciente e lá permanecerem até que na escuridão se consumam e corrompam suficiente que não causem mais mal algum.
Somente pensar nisso, pôr em papel, já é trabalho difícil e árduo porém necessário. Pois eu não posso e nem quero falar isso a ti pessoalmente, ou mesmo diretamente, mas tu sabes exatamente quem tu és, em que momentos e em que circunstâncias isso tudo aconteceu. E foi uma bela de uma montanha russa, não foi? Cheia de altos e baixos, de culpas mútuas e exclusivas.
E quando tudo for dito e o tempo fazer o que fizer de melhor tudo isso irá de passar, e tudo que antes incomodava passará. As lembranças voltarão a ser gostosas e livres de mágoa. O espaço deixado vazio voltará a ser preenchido, feridas se fecharão. A felicidade encontrará nova morada, e a miséria recolher-se-á ao fundo da memória novamente.
Tempos bons virão denovo, e tempos ruins virão em seguida, até que o barco pare em calmaria, a viagem continua sem parar.
Você fez parte da história, ditou rumos, mudou o curso de muitas coisas, mas agora é hora de partir.
Um adeus, e somente um adeus, é essa a regra de ouro.